Amapá na Rota Global: Movimentação no Oiapoque quase dobra no pós-pandemia impulsionada pela integração física com a Guiana Francesa

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Impulsionado pela Ponte Binacional e pelo aumento de visitantes franceses, o fluxo na fronteira entre Oiapoque e a Guiana Francesa quase dobrou em relação ao período pré-pandemia. Além do comércio e turismo, o Amapá consolida seu papel estratégico como uma das principais portas de entrada e trânsito para milhares de solicitantes de refúgio no Brasil.

Amapá na Rota Global: Movimentação no Oiapoque quase dobra no pós-pandemia impulsionada pela integração física com a Guiana Francesa

A fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa nunca esteve tão movimentada. Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) revelam que o Estado do Amapá encerrou o ano de 2025 com números recordes, um fluxo total de 81.673 entradas, quase o dobro em relação ao ano de 2019, antes da pandemia de COVID-19. A permeabilidade da fronteira é destacada pela proximidade com Saint-Georges, cidade vizinha na Guiana Francesa. A maioria destas movimentações registradas são de franceses que vem realizar compras e turismo em Oiapoque.

Outro destaque é a entrada de imigrantes com solicitações de refúgio. Entre janeiro de 2016 e julho de 2026, o Amapá recebeu 18,9 mil pedidos de refúgio dos 587.909 mil solicitados em todo o território brasileiro. A consolidação da Ponte Binacional na cidade transfronteiriça como a principal porta de entrada é um fator relevante. Se logo após sua inauguração, em 2017, o posto terrestre registrava apenas 143 entradas, em 2025 esse número saltou para 37.688.

Enquanto isso, o tradicional Porto Fluvial no Oiapoque, que embora ainda seja relevante pela movimentação diária dos catraieiros (cerca de 15.249 entradas), perdeu o protagonismo para a infraestrutura terrestre. A facilidade de acesso via ponte parece ter alterado definitivamente a logística da fronteira.

O saldo de entradas de pessoas positivo impõe uma indagação: os imigrantes estão vindo para residir no município? Os dados sugerem que não. O estado do Amapá, e o município de Oiapoque, se consolidam como uma porta de entrada mas não como destino de permanência para uma parcela significativa dos que cruzam a fronteira pedindo asilo. Porém, nas documentações oficiais não há registro sobre os destinos finais dos refugiados dentro do território nacional.

O município de Oiapoque é, portanto, um local de entrada e trânsito da grande maioria dos cubanos, haitianos, venezuelanos e imigrantes de outras nacionalidades com destino a outros estados da federação. As crises humanitárias e políticas nos países de origem tornam o estado brasileiro atrativo para um possível recomeço.

Fonte dos dados:
OBMigra (https://portaldeimigracao.mj.gov.br/pt/observatorio/1715-obmigra)

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